Queridos olhinhos,
Estivemos, ao longo do primeiro semestre deste ano, tentando discutir a educação visual indo além da leitura de imagens e tentando pensar sobre a produção das mesmas. Para tanto, passamos as últimas reuniões pensando, analisando e discutindo seu processo de produção.
Entre indas e vindas, tentamos coletivamente criar um roteiro que pudesse ser produzido por nós pela técnica de animação em massinha por stop-motion - técnica esta que poderia ser facilmente reproduzida em ambientes escolares. Muitas foram as idéias para este roteiro e grandes foram nossos esforços em criar uma história que não só fosse um "desfile de personagens engraçadinhos" mas que, primordialmente, refletisse ao público as visões de nosso grupo sobre o homem, o mundo e a sociedade - já que toda escolha estética é também uma escolha política.
As discussões, os encaminhamentos e as diretrizes que formulamos em conjunto nestes 6 primeiros meses do ano foram extremamente frutíferas para pensarmos a educação visual e as disseminações de (pré)conceitos através das imagens, não acham? Eu, ao menos, estou muito feliz e realizada com todas as nossas discussões!
No entanto, nossa grandiosas idéias para nosso roteiro sobre a Cuca e seu aniversário se tornaram uma espécie de "elefante branco" na prática, pois para produzirmos e viabilizarmos nossas idéias precisaríamos de muito mais tempo e trabalho do que temos disponível em nossas reuniões quinzenais.
Perante isso, tentamos diminuir o roteiro, adaptando a história coletiva e criando uma história outra, diminuta e um pouco mais realista para, finalmente, conseguirmos produzir algo. A idéia era tornar nosso desejo de produção uma realidade, findar este processo de feitura de imagens e seguir adiante, pensando em como foi esse processo de produção (através de um making-off que também estávamos produzindo com o auxílio do Carlos Lopes) e também pensando sobre a receptividade de nossa história pelo público (pois gostaríamos de apresentar nossa singela produção às pessoas, por exemplo aos alunos do Heitor, lembram?!).
No entanto, pelo que podemos ver pelo histórico de mensagens aqui postadas anteriormente, essa adaptação do roteiro - a qual de fato não foi produzida em coletividade - não foi legitimada por todo nosso grupo, pois muitos de nós gostariam de poder prolongar um pouco mais este processo de pré-produção, continuando a pensar no que produzir, sob qual prisma e com qual finalidade. Tais preocupações são absoluatmente legítimas, dado que o objetivo de nosso grupo é pensar sobre a educação visual e não formar produtores de vídeo, certo?
Porém, ficou claro para nós que nossa produção coletiva, na prática, se tornou inviável... Fizemos, como prova disso, uma oficina de animação em massinha por stop-motion em nossa última reunião, sábado passado, e os presentes puderam perceber quanto tempo demoramos e quanto trabalho dispendemos para produzir, com 10 fotos, 1 mísero segundo de animação! Os presentes, enfim, concluiram que de fato nosso roteiro, mesmo em sua última versão, adaptada, não poderá ser produzido por nós.
Uma pena, é verdade, pois tenho certeza que nossas idéias são muito bacanas e dariam mesmo uma linda produção! Mas dispender mais tempo com isso não nos parece a escolha mais frutífera para nosso grupo a partir de agora, concordam?
Concomitante a essa mudança de planos, uma outra perspectiva de trabalho se desacortina para este grupo: a idéia de nos tornarmos um grupo que trabalha em prol de fazer cinema em contexto escolar! Esta idéia advém de um projeto maior, coordenado pelo nosso Prof. Carlos Miranda, e que poderá, se tudo se configurar a favor, levar-nos a, finalmente, conseguir aliar os aberes acadêmicos tão caros no grupo OLHO à prática da produção de cinema dentro das escolas.
Perante tudo isso, proponho:
1) que discutamos esse processo de pré-produção que realizamos até agora, inclusive vendo o que Carlos Lopes conseguiu filmar de nossos bate-papos, pois assim conseguiremos retomar o pensamento inicial que era o de discutir o próprio processo, e não o produto audiovisual pronto, correto? Poderíamos fazer isso ao longo deste semestre, numa tentaiva de finalizarmos o que estivemos fazendo até agora.
2) que recebamos o Prof. Carlos Miranda na próxima reunião do grupo, dia 03/10, e discutamos com ele essa nossa nova perspectiva de trabalho, entendendo mais e melhor este novo e vigoroso projeto de ensino, pesquisa e extensão ao qual poderemos optar em adentrar.
Para tanto, colocarei no cometário desta mensagem uma espécie de resumo deste novo projeto, para irmos nos familizrizando com ele até dia 03/10, ok?
Peço que os interessados leiam o texto e analisem suas possibilidades e vontades de se incluirem nele. Ai, no dia 03, ouvimos melhor a proposta do Prof. Carlos e resolvemos em conjunto se ainda iremos querer e se teremos tempo para finalizar nosso trabalho inicial, como digo no ítem 1 anteriormente citdo, ou se já partimos para o ítem 2 ainda neste semestre. Resolveremos isso, portanto, de forma coletiva na próxima reunião, ok?
Espero, enfim, que independente dos rumos que tomarmos daqui prá frente, nosso objetivo primordial continue sempre em nossas mentes: disutir sobre a educação visual, tentando (in)formar professores e alunos sobre esta educação que recebemos através das imagens e que precisa ser tomada como foco de análise!
Beijos a todos e em todos e nos vemos dia 03 de outubro!
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
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3 comentários:
PROJETO: CURRÍCULO E LINGUAGEM CINEMATOGRÁFICA NA EDUCAÇÃO BÁSICA
- introdução: projeto que pesquisa sobre o fazer cinema em contexto escolar.
- justificativa: dar voz e vez às crianças e adolescentes, alunos de escolas públicas, na produção de cultura, a partir de um projeto que configure um currículo amplo e flexível, apropriável pelas diversas instituições. Pois a presença do artista na escola e a capacitação permanente do professor rompe com a passividade e a limitação de conteúdos e procura transformar os alunos em espectadores criativos e críticos, abrindo para eles um universo diversificado não só de gêneros do cinema de todas as épocas, em particular daqueles que não são veiculados no circuito comercial, mas também de processos intersubjetivos novos.
- objetivos: propõe-se a criação de um modelo pedagógico visando a incorporação e disseminação do cinema pela escola pública fundamental e média, ampliando consideravelmente o alcance e impacto junto à sociedade como um todo. Busca otimizar possíveis resultados, organizando tal conhecimento em um currículo que oriente a elaboração de instrumentos teórico-metodológicos aplicáveis a uma realidade concreta. Este projeto prevê a elaboração de um currículo para uma escola de cinema infanto-juvenil, que possa ser apropriado por diferentes escolas ou centros educativos que venham a se interessar em projetos que permitam aprender a fazer cinema em contexto escolar.
- questões norteadoras: Como elaborar um currículo que introduza os principais elementos da Historia do Cinema e da Linguagem Cinematográfica em contexto escolar? Como ensinar cinema a crianças e adolescentes? Com que recursos? Trata-se simplesmente de adaptar um currículo universitário a um projeto de curso extra-escolar ou curricular correspondente às artes visuais? Será que resolveria este desafio se miniaturizar uma proposta existente para torná-la acessível às competências cognitivas de crianças ou adolescentes? Como fazer cinema como arte na escola? Como formalizar uma proposta curricular que possa ser apropriada por projetos oriundos de escolas diferentes de regiões e estruturas diversas, de modo curricular ou extracurricular? Como trabalhar esta proposta da mão de artistas, professores e pesquisadores que permitam imprimir um tom apropriado, longe das rançosas especulações que arrasta(mos) os pedagogos desde o Iluminismo?
- atuação do projeto:
1) fazer diversos levantamentos: das escolas que realizam projetos de cinema no Brasil; dos currículos dos cursos de cinema da educação formal e não-formal no Brasil; de algumas das principais propostas de ensino de cinema fora do Brasil; dos antecedentes desta forma de ensino em bibliografia e entrevistas realizadas a cineastas que já deixavam explícita ou implicitamente visível esta possibilidade (Godard, Welles, Rocha, Truffaut, entre outros). (Formar, no mínimo, 3 mestres em educação que foquem a interface entre cinema e educação na perspectiva da linha de pesquisa Currículo e Linguagem.)
2) extrair a experiência específica do projeto que lhe deu origem, a Escola de Cinema do CAp, em diálogo com a Cinemateca do MAM-Rio em 2008-2009. Isto é, recopilar os planejamentos e registro das aulas, seleção de filmes, visitas à Cinemateca, exercícios e projetos individuais e coletivos desenvolvidos como parte das atividades de formação. (Formar, no mínimo, 3 mestres em educação que foquem a interface entre cinema e educação na perspectiva da linha de pesquisa Currículo e Linguagem.)
3) criar e publicar textos básicos, de apoio, apostilas e manuais, visando a capacitação docente (Introduzir com propriedade e critério artístico e pedagógico os principais fatos da história do cinema; introduzir teórica e metodologicamente os elementos da linguagem cinematográfica.; produzir recursos didáticos, como cadernetas com exercícios, dvd com trechos de filmes ilustrando filiações temáticas no que diz respeito a elementos da linguagem e historia do cinema, etc)
4) propor e incentivar mudanças nos currículos escolares a fim de propiciar espaço para a produção cinematográfica discente (eixos temáticos: Cultura, Arte e Novas Tecnologias; Cultura; Manifestações Artísticas e Conhecimentos Tradicionais; Cultura, Memória e Patrimônio.)
5) experienciar os processos de pré-produção, produção e pós-produção com os alunos;
6) organizar de eventos acadêmico-culturais, numa cinemateca a ser construída (núcleo de criação de imagens da FE/Unicamp) que convoquem e incentivem a produção audiovisual nas escolas públicas, consubstanciado em um festival/mostra de cinema, estratégia mais eficaz para a disseminação de conteúdos considerados em princípio como “não-comerciais”, em termos de um mercado formal. (Produzir 2 eventos acadêmicos sobre cinema e educação; produzir 2 mostras eventos culturais que vinculam o cinema e a escola na Cinemateca; organizar 8 encontros, no prazo de 2 anos, no Rio, com os responsáveis das instituições participantes; realizar, no mínimo 2 eventos acadêmicos, um por ano, para integrar e divulgar os diferentes projetos de pesquisa, ensino e extensão sobre cinema e educação; realizar, no mínimo 2 mostras de cinema em contexto escolar, uma por ano, como eventos culturais que aproximem o trabalho que é desenvolvido.)
7) publicar os resultados deste projeto, para servir de material de apoio e incentivo aos demais professores imbuídos por nossos objetivos (Publicar 12 artigos ou capítulos de livros (6 em 2009 e 6 em 2010) com as principais conclusões e descrição do processo de pesquisa acerca da construção de um currículo de cinema adaptável para projetos de cinema na educação básica; publicar 2 livro com as conclusões da pesquisa em 2009 e em 2010.
Muito interessante!!
Vamos implantar um currículo moderno às escolas de educação básica?
A educação e os alunos merecem!
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