terça-feira, 1 de dezembro de 2015
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Encontro do dia 16/06/2010
No dia 16 de junho de 2010, a Renata falou sobre o trabalho que está realizando, com relação à produção de imagem, na escola municipal de ensino fundamental na qual atua. Ela relatou sobre sua experiência com a filmagem no contexto escolar, falou sobre as diferentes abordagens dadas à imagem ao longo dessa trajetória e trouxe algumas produções (de professores e alunos) realizadas até então.
Foram destacados dois momentos distintos de produção de vídeo na escola desde 2005:
Num primeiro momento, a câmera foi utilizada como ferramenta para o registro “documental” de reuniões e eventos realizados na escola. Durante esse período, projetos para se pensar a gestão participativa passaram a incluir a filmagem de atividades desenvolvidas pelos professores (e sua posterior visualização) como estratégia para a auto-avaliação do trabalho docente. Sendo assim, a captura em vídeo do cotidiano escolar tinha como objetivo o olhar para a atuação do professor (antes, durante e depois da filmagem).
Produzidos neste momento apenas por professores, os registros audiovisuais eram utilizados nas reuniões pedagógicas para fomentar discussões e proporcionar reflexões sobre o trabalho realizado na escola. A Renata conta que muitas vezes ao assistirem as filmagens, não só os professores que produziam os vídeos, mas sobretudo aqueles que apareciam neles, acabavam percebendo situações (na tela) que não haviam sido notadas no momento em que vivenciavam determinado fato ... ou assistiam compreendendo-o de outra maneira.
Carlos Lopes, ao pensar na experiência de filmar um evento – como também se faz num ensaio ou apresentação de teatro – aponta para uma questão interessante: Por que tem coisas que a gente só percebe no registro em vídeo?
E conversando sobre essa questão, o Gustavo comentou sobre o foco, sobre o olhar “enquadrado” e a perspectiva da câmera que nos traz esse outro olhar. Foi lembrado o documentário “Janelas da alma” e a entrevista com o Wim Wenders, em que ele fala sobre a perspectiva dada pelo enquadramento dos seus óculos.. (achei o trecho no You tube!)
http://www.youtube.com/watch?v=WC0SfoOCSf0&feature=related
O segundo momento do trabalho com a produção de vídeo na escola é marcado pela necessidade de melhoria da qualidade das imagens filmadas. A preocupação com a imagem produzida, que anteriormente tinha como prioridade a “captura” do fato, isto é, o registro de um evento, volta-se agora para a percepção e para a composição estética. Quais os sentidos (os olhares) das imagens produzidas/enquadradas pela câmera da escola? O que ela vê e como vê?
Além do trabalho com os professores, a Renata contou sobre sua experiência com a composição das imagens produzidas na escola (registro de eventos) feitos por ela, da transformação do olhar (que ficou mais atento).
Sobre as experiências de produção com as crianças (o minuto Lumiére), Renata descreveu como está sendo o trabalho com os alunos do sétimo ano, falou sobre a metodologia usada e comentou sobre o envolvimento de outros professores da escola no projeto (que está contando com a ajuda do Prof. Carlos). Vimos alguns vídeos realizados pelos alunos, entre eles o da Júlia (vídeo da cozinha da escola – cozinheira lavando uma panela).
A Julyana levantou questões sobre a relação das crianças com a câmera durante a produção (quando filmam e quando assistem o que filmaram) e o que mudou no comportamento das crianças (já que foi mencionado que o trabalho é feito com crianças com dificuldades de aprendizado). Perguntou também sobre quando e como serão abordados alguns aspectos técnicos, como a luz e as cores.
Conversamos sobre como é trabalhada a noção de enquadramento (ficha recortada – experiência que está sendo realizada também na escola da Dilma) e de ângulo na imagem (Renata relata sobre o cuidado da aluna Júlia ao escolher o enquadramento na cozinha da escola).
sábado, 19 de junho de 2010
Para olhar/ouvir e.... baixar
TV Câmara coloca 170 produções audiovisuais para serem baixadas em seu site
18/06/2010A TV Câmara colocou em seu site , em alta resolução, 170 produções originais. São documentários, séries de reportagens, programas informativos e matérias jornalísticas cuja principal finalidade é o uso como material audiovisual de apoio na sala de aula e em reuniões temáticas.
É um acervo variado, com séries sobre os 20 anos da Constituição de 1988, personalidades como Delfim Netto, Ferreira Gullar e o genral Leônidas Pires Gonçalves e Jacob Gorender contando suas memórias politicas, programas sobre agricultura familiar, reaproveitamento de resíduos, história dos índios do Brasil. Entre as produções disponíveis está, por exemplo, um documentário sobre Sônia Maria, que montou uma cooperativa de catadores de papel na periferia de Brasília, ajudando diversas famílias da região a sair de uma situação de extrema carência. O filme ganhou como melhor documentário no Prêmio Vladimir Herzog 2005.
Há, no entanto restrições ao uso dos programas. Não podem ser usados com fins comerciais. Pode-se usar trechos das obras em outras produções, mas é vedada a recontextualização de imagens e/ou sons para novas montagens. E é obrigatória a citação do título e autor da obra.
Os vídeos podem ser copiados e armazenados em qualquer computador ou pen-drive. Estão codificados em um formato que permite a reprodução em qualquer programa de execução de mídia como VLC, QuickTime Player, Windows Media Player, Media Player Classic, Real Video
Festival Cinema
Inscrições abertas para o Visões Periféricas 2010
15/06/2010 - Estão abertas, até o dia 30 de junho, as inscrições para o Festival Visões Periféricas 2010. Este ano, o festival, que chega a sua 4ª edição, realiza quatro mostras competitivas (Visorama, Fronteiras Imaginárias, Tamonjuntoemisturado e Imagens Remix) e ainda duas mostras temáticas (Cinema da Gema e Periferia Animada). Para as competitivas, serão distribuídos R$ 16 mil em prêmios. As mostras serão exibidas em salas de cinema e também na internet. O festival também segue com a mostra internacional Ibero-americana, que irá reunir filmes realizados em contexto de formação em audiovisual em escolas, cursos e oficinas localizados nos países dessa região.
Os interessados em se inscrever devem ler atentamente o regulamento e escolher a opção de mostra em que melhor se encaixa a sua obra. O Festival Visões Periféricas 2010 será realizado no mês de outubro com data e local a serem divulgados em breve pela Organização do evento. O patrocínio é da Oi e da Petrobras.
Mais informaçõs: www.visoesperifericas.org.br
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Reflexões sobre produção cinematográfica e educação
A apresentação de Julyana Troia acorreu a partir de um pedido meu depois que eu fiz apresentação do projeto temático de pesquisa Linguagem e Arte Cinematográfica na educação – Memória, Imaginação e Tecnologia no dia 27 de março de 2010.
O objetivo de convidar Julyana para falar de seu trabalho foi fazer com que o grupo pudesse entrar em contato com um processo de criação de um filme.
Logo depois da reunião do dia 27 de março, eu e o Carlos Lopes fomos à produtora “Mídia Educativa” de Julyana para conhecer as instalações e para conversamos sobre um desafio muito grande de todos nós que estamos envolvidos com a relação entre vídeo e educação ou entre cinema e educação – como oferecer este conhecimento de produção de cinema para as pessoas da educação.
Este trabalho tem sido através de oficinas que ensinam, em geral, a parte logística, o planejamento e a técnica de produção. Achamos válido este trabalho, pois contamina a escola ou a educação com cinema, mas a educação carece de uma relação com a linguagem cinematográfica que vá além do caráter instrumental da linguagem – ensinar a fazer. Há necessidade de se pensar um saber fazer que seja acompanhado de referências culturais, pela paixão e pelo caráter artístico da produção em imagens e sons em movimento.
Bem, parece que Julyana compartilha conosco esta ausência, este algo mais que se quer da relação entre cinema e educação. Ela, então se dispôs a apresentar como está sendo seu processo de produção com este projeto sobre Lampião.
Em sua apresentação de slides Julyana dispôs as 6 fases do trabalho que realiza para uma produção de um filme: Pesquisa, Roteiro, Pré-produção, Produção, Edição, Pós-produção.
Não saímos do tema da pesquisa, pois este gerou inúmeras questões que despertaram a curiosidade e a reflexão do grupo.
Reproduzo de forma esquemática o slide sobre a pesquisa para a produção que Julyana nos apresentou:
• Pesquisa Bibliográfica
• Fontes: jornais, rádios e TVs, acervos históricos, museus, etc.
• História Oral – Personagens que fizeram parte da história
• Visões técnicas do conteúdo – profissionais da área
• Outras obras já realizadas
• Conhecer o público
Diante do volume de informações que Julyana coletou em sua recente viagem a Mossoró no Rio Grande do Norte perguntei: quando e como você decide parar de coletar informações e parte para a elaboração do roteiro?
Sua resposta foi mais ou menos esta: quando eu percebo que construí meu objetivo em relação ao filme.
Esta informação me fez pensar na relação entre a produção de um filme e a produção de um trabalho educacional. Para Julyana a construção do objetivo se dá no processo de coleta de informações sobre o tema da obra, ou seja, durante a pesquisa. Na educação, apesar de todas as críticas à educação por objetivos que, se não estou enganado, remonta a educação instrucional, os educadores ainda pensam o começo do seu trabalho como sendo a definição dos objetivos.
Há uma lógica no mundo da educação que diz que todo o processo de construção de um programa educacional ou de ensino deva começar pela definição do perfil do aluno que se quer formar e depois dos objetivos que visam atingir esta formação. Bem, sem entrar no mérito teórico de que esta lógica parte de uma idealização (muitas vezes justificada por uma leitura, às vezes crítica, da realidade, do contexto social, histórico, econômico e cultural), a lógica da constituição de um perfil de formação normalmente cai numa abstração, ou seja, objetivos previamente definidos. Os objetivos são definidos antes de conhecer os sujeitos que estarão envolvidos no trabalho educacional e de se analisar a situação em que este trabalho ocorrerá.
Em poucas palavras, o processo de criação (fílmica) tende a definição de objetivos dentro do processo de pesquisa, sendo que o processo educacional tende a partir dos objetivos para criar o processo de ensino.
Claro que sabemos que o processo de produção fílmica industrial tende a definição prévia de objetivos e que o processo de criação, na maioria das vezes deve entrar em conflito com este caminho de criação apresentado por Julyana. Porém isso só demonstra o quando a educação está permeada pela produção e forma de organização do trabalho industrial.
Ariadne fez, então, uma distinção entre o trabalho de pesquisa na universidade e o trabalho de pesquisa numa produção cinematográfica. O primeiro seria mais individualizado e o segundo seria mais coletivo, ou, pelo menos, os créditos do trabalho de criação cinematográfica são mais coletivizados.
Penso que apesar da validade da distinção (idéia que já tinha me contaminado algumas vezes), esta idéia não é tão clara como se poderia pensar. Há muita discussão sobre o caráter coletivo do processo de produção e principalmente sobre o processo de criação fílmica. Alguns defendem que não há trabalho coletivo no cinema, mas sim trabalho em equipe e, muitas vezes este trabalho está dividido de tal forma que se assemelha a divisão processo do trabalho da indústria. Aliás, é por isso que o cinema é tido como uma indústria. Por outro lado, a produção da pesquisa acadêmica e científica (mestrado e doutorado inclusive) se discute que ela não deveria é isolada e que a própria idéia de revisão bibliográfica traz uma dimensão de inserção do trabalho numa coletividade.
Apesar destas considerações me parece que na educação, e por extensão na pesquisa educacional (e poderíamos dizer na pesquisa em ciências humanas) há muito preconceito e resistência ao trabalho em equipe. A divisão do trabalho na pesquisa é sempre reduzida à divisão do processo de trabalho fabril ou industrial. Não há necessidade de pensarmos radicalmente assim. Os processos de produção e criação que Julyana nos traz e que se inserem dentro de um sistema comercial de produção, nos fazem pensar que nós, da educação, ainda temos o que aprender com este tipo de organização de produção e criação.
Na verdade, talvez aqui se pudesse fazer a defesa da Pedagogia da criação de Bergala. Se a educação voltar-se para o processo de criação e não se restringir ao processo de transmissão ela será mais facilmente permeada pela idéia de equipe ou de coletivo (em minha opinião idéias que são mais férteis do que as de interdisciplinaridade).
Carlos Lopes fez uma observação de contexto que deixou estas reflexões em suspenso. Lembrou-nos de que uma dos procedimentos que sustentam a individualização do trabalho educacional e de pesquisa é a forma de avaliação do mérito individual. Não há uma cultura de valorização de mérito coletivo. Fiquei pensando que mesmo avaliações institucionais de programas e unidades são, ao que me parece, calcada em soma das avaliações individuais dos sujeitos envolvidos no trabalho da instituição.
A partir de um determinado momento, nós questionamos muito Julyana sobre seu processo de valorização da pré-produção e, principalmente, do processo de pesquisa. Julyana sinteticamente destingiu três fases de sua formação como realizadora. Um momento anterior à sua formação profissional, quando adolescente, em que criar se confundia com mexer câmera e gravar diversos acontecimentos e situações. Um segundo momento, durante sua formação profissional no curso de jornalismo em que ela começa a ser obrigada a seguir os passos técnicos de uma produção. E, um terceiro momento, em que a valorização da pré-produção já está consolidada em sua forma de produzir, ou seja, o momento atual.
Perguntada quando ela começou a valorizar a pré-produção, principalmente o momento da pesquisa, Julyana respondeu que isso começou a acontecer no momento da sua formação profissional, mas que de fato se consolidou quando ela começou a ensinar a produzir filmes. Ou seja, a passagem do simples mexer na câmera para a valorização de seguir os procedimentos do processo de criação deu-se quando ela se viu na tarefa de ensinar a produzir.
Julyana acrescentou um aspecto importante em sua prática de trabalho com sua equipe. Ela disse que se preocupa envolver toda a equipe com a história e com o tema que está produzindo. Procura levar a história para todos da equipe.
Eduardo perguntou à Julyana sobre assumir um ponto de vista em relação ao tema que está sendo abordado na produção de um filme e a preocupação quanto ao objetivo desta produção estimular uma reflexão.
Questionou-se ainda sobre como se chega à proposta de estimular uma reflexão num filme. Em que momento começa a vontade de querer transmitir uma mensagem? Isto tem a ver com o assunto? Como surge a vontade de um indivíduo querer mostrar algo para os para outros?
Penso que estas questões têm duas dimensões. Uma é querer transmitir uma mensagem por julgar importante que os outros tenham acesso a esta mensagem e reflitam sobre ela. Isto tem mais a ver com querer mostrar alguma coisa aos outros. A outra é querer expressar algo através do cinema. Algo que se pensa sobre o tema, ou sobre um assunto. Ou seja, um desejo de querer mostrar algo, de uma determinada maneira, que julga ser importante para si mesmo.
Houve uma reflexão sobre o jovem contemporâneo e sobre nossos desejos e sentimentos na juventude. Falou-se de uma idade em que não há preocupação com o outro, não há preocupação com a busca do conhecimento do outro. Apesar de certa concordância com esta radiografia das relações sociais, nos perguntamos se esta não seria uma visão centrada na posição do adulto. Os jovens não têm ideais? Estes idéias não envolvem o outro? O bem estar comum e a preocupação com os relacionamentos?
Ariadne fez uma interessante observação sobre a fase em que o jovem ou o adolescente começa a mexer com a câmera. Penso que, sua observação, no entanto, não se restringe ao jovem ou adolescente, pois abrande uma forma social de relação do homem com a tecnologia. Ariadne ressaltou o caráter narcísico da forma como os adolescentes e jovens lidam com a câmera, como se fossem uma extensão do próprio eu.
A tecnologia como extensão do próprio eu é um tema interessante de estudo e já há alguma bibliografia sobre isso. Esta bibliografia aponta prós e contras. Há uma diferença entre abordar a tecnologia como extensão do próprio eu e a tecnologia como extensão do próprio corpo. Mas para a educação talvez as duas coisas devam ser pensadas juntas. Seria uma forma de pensar numa foram de amadurecimento pensar que o indivíduo parte de uma relação da tecnologia como extensão do eu para uma relação da tecnologia com extensão do corpo? A minimização do narcisismo em relação à câmera (a em relação aos artefatos tecnológicos de maneira geral) seria um trabalho de responsabilidade da educação, da escola, do professor?
O perigo da abordagem desta questão talvez esteja em dar um sentido moral para esta forma de relação entre o homem e a tecnologia (em particular a câmera filmadora –esteja ela onde estiver – celular, por exemplo).
Para a superação do estado narcísico do homem com a tecnologia haveria a necessidade de se criar formas de trabalho e de produção que promovessem um sentido de interlocução entre os sujeitos envolvidos num processo de produção – seja mexer na câmera ou fazer uma produção completa.
Talvez precisemos estudar mais estas questões. Dentre várias referencias que precisemos buscar está à compreensão da relação do homem com a tecnologia do ponto de vista filosófico, psíquico e social , uma melhor compreensão do mito de narciso, o entendimento do professor como interlocutor .
sábado, 20 de março de 2010
Depois de um começo de semestre agitadíssimo e com alguns imprevistos pessoais estou retomando as atividades do GEIE.
Neste semestre pretendo colocar em andamento os cursos de cinema nas escolas organizando o material necessário. Há um rascunho de uma proposta metodológica que montei sobre as idéias de Alain Bergala, acrescidas de algumas coisas, fruto da minha experiência com produção de vídeo nos curso de graduação.
Temos que fechar um programa que podemos desenvolver em diferentes espaços educativos. Trata-se de um programa flexível, mas que contenha um eixo de formação e um conteúdo programático básico (quando me refiro ao conteúdo programático estou me referindo às ações que serão desenvolvidas para a pesquisa e o para produção de cinema na escola).
Neste sentido, precisamos fechar a equipe que tocará o projeto e os colaboradores, assim teremos condições de solicitar verbas.
A princípio estou acreditando que o melhor dia para agendar um encontro é sábado. Por isso, pergunto:
Pode ser sábado, dia 27 de março às 9h30 na cantina da FE?
Neste dia vou apresentar a proposta de formação para o cinema. Uma proposta em aberto que terá que ser burilada pelo grupo. Vamos acrescer a proposta com os interesses do grupo e que forem convergentes.
Aguardo a manifestação de vocês
Carlos Miranda
terça-feira, 24 de novembro de 2009
PROJETO CINEMA NA ESCOLA
Dando continuidade, coloco aqui algumas diretrizes do nosso projeto "Cinema na Escola":
-QUESTÃO NORTEADORA: Como fazer cinema como arte na escola?
-OBJETIVO: Assistir cinema e fazer cinema na escola (comunidade escolar como espectadora e produtora de cinema)
-EIXOS INVESTIGATIVOS:
1) Levantamento de acervo do MIS-Campinas (e outros a serem selecionados) acerca de filmes com temáticas relacionadas à educação (escola, professor, criança, adolescente, etc); pesquisa sobre as formas de constituição de banco de dados e formas de indexação destes acervos;
2) Análise crítica e criativa sobre os filmes pesquisados nos acervos com os alunos de instituições educativas (escolares e não-escolares);
3) Formação dos professores para a apreciação e feitura do cinema em suas escolas; aproximação entre professores e realizadores dos filmes pesquisados nos acervos.
Como colocar isso em prática? Essa é nossa discussão a partir daqui!
Beijos a todos e em todos e participem com idéias e reflexões!
NOVA FASE: PROJETO "CINEMA NA ESCOLA"
Continuamos a nos utilizar deste espaço do blog para conversar sobre nossos planos e projetos.
Como já dito, finalizamos nossos trabalhos com a feitura do curta de animação em stop-motion com massinha quando experienciamos esta produção na oficina do Heitor. Nossa produção está aí, na postagem abaixo, aberta para pitacos sobre edição, montagem, sonorização e créditos. Não deixem de opinar!
Durante todo este processo de criação, estivemos gravando o making-off de nossos trabalhos. Essa gravação foi editada e montada pelo Carlos Lopes (obrigada, querido!) e demos uma olhada nisso em uma de nossas reuniões anteriores. Com isso, ficou claro para o grupo que o processo de criação. sobretudo quando coletivo, é lento e cheio de percalsos, mas também muito instigante e cheio de idéias das mais acertadas! Mesmo não tendo finalizado a historinha da Cuca, como almejado, nosso grupo conseguiu perceber que para produzir um audiovisual é necessário mais que uma idéia na cabeça e uma câmera na mão: precisamos de direção!
Saber o que produzir, com qual objetivo, e ter claro "quem é que cuida do quê" neste processo nos parecem condições impreteríveis para a realização de uma obra, sobretudo depois que olhamos para este making-off. E é com essas idéias em mente que partimos agora para uma nova fase do grupo!
Para nos inserirmos no projeto "Cinema na Escola", coordenado pelo Prof. Carlos, devemos ter em mente que fazer cinema nas instituições escolares - tentando proporcionar aos alunos e professores a oportunidade de serem não só apreciadores mas também produtores de cultura - não será fácil, sobretudo se atentarmos para as possíveis dificuldades com recursos e técnicas que teríamos... Mas se tivermos uma direção em mente, um norte bem traçado, certamente esse será um objetivo possível de ser alcançado, certo?!
Continuemos, pois, a prosear sobre o assunto por aqui!
Beijos a todos e em todos.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Animação do grupo Olheiras
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
REUNIÕES: A ÚLTIMA E A PRÓXIMA
Estivemos, ao longo do primeiro semestre deste ano, tentando discutir a educação visual indo além da leitura de imagens e tentando pensar sobre a produção das mesmas. Para tanto, passamos as últimas reuniões pensando, analisando e discutindo seu processo de produção.
Entre indas e vindas, tentamos coletivamente criar um roteiro que pudesse ser produzido por nós pela técnica de animação em massinha por stop-motion - técnica esta que poderia ser facilmente reproduzida em ambientes escolares. Muitas foram as idéias para este roteiro e grandes foram nossos esforços em criar uma história que não só fosse um "desfile de personagens engraçadinhos" mas que, primordialmente, refletisse ao público as visões de nosso grupo sobre o homem, o mundo e a sociedade - já que toda escolha estética é também uma escolha política.
As discussões, os encaminhamentos e as diretrizes que formulamos em conjunto nestes 6 primeiros meses do ano foram extremamente frutíferas para pensarmos a educação visual e as disseminações de (pré)conceitos através das imagens, não acham? Eu, ao menos, estou muito feliz e realizada com todas as nossas discussões!
No entanto, nossa grandiosas idéias para nosso roteiro sobre a Cuca e seu aniversário se tornaram uma espécie de "elefante branco" na prática, pois para produzirmos e viabilizarmos nossas idéias precisaríamos de muito mais tempo e trabalho do que temos disponível em nossas reuniões quinzenais.
Perante isso, tentamos diminuir o roteiro, adaptando a história coletiva e criando uma história outra, diminuta e um pouco mais realista para, finalmente, conseguirmos produzir algo. A idéia era tornar nosso desejo de produção uma realidade, findar este processo de feitura de imagens e seguir adiante, pensando em como foi esse processo de produção (através de um making-off que também estávamos produzindo com o auxílio do Carlos Lopes) e também pensando sobre a receptividade de nossa história pelo público (pois gostaríamos de apresentar nossa singela produção às pessoas, por exemplo aos alunos do Heitor, lembram?!).
No entanto, pelo que podemos ver pelo histórico de mensagens aqui postadas anteriormente, essa adaptação do roteiro - a qual de fato não foi produzida em coletividade - não foi legitimada por todo nosso grupo, pois muitos de nós gostariam de poder prolongar um pouco mais este processo de pré-produção, continuando a pensar no que produzir, sob qual prisma e com qual finalidade. Tais preocupações são absoluatmente legítimas, dado que o objetivo de nosso grupo é pensar sobre a educação visual e não formar produtores de vídeo, certo?
Porém, ficou claro para nós que nossa produção coletiva, na prática, se tornou inviável... Fizemos, como prova disso, uma oficina de animação em massinha por stop-motion em nossa última reunião, sábado passado, e os presentes puderam perceber quanto tempo demoramos e quanto trabalho dispendemos para produzir, com 10 fotos, 1 mísero segundo de animação! Os presentes, enfim, concluiram que de fato nosso roteiro, mesmo em sua última versão, adaptada, não poderá ser produzido por nós.
Uma pena, é verdade, pois tenho certeza que nossas idéias são muito bacanas e dariam mesmo uma linda produção! Mas dispender mais tempo com isso não nos parece a escolha mais frutífera para nosso grupo a partir de agora, concordam?
Concomitante a essa mudança de planos, uma outra perspectiva de trabalho se desacortina para este grupo: a idéia de nos tornarmos um grupo que trabalha em prol de fazer cinema em contexto escolar! Esta idéia advém de um projeto maior, coordenado pelo nosso Prof. Carlos Miranda, e que poderá, se tudo se configurar a favor, levar-nos a, finalmente, conseguir aliar os aberes acadêmicos tão caros no grupo OLHO à prática da produção de cinema dentro das escolas.
Perante tudo isso, proponho:
1) que discutamos esse processo de pré-produção que realizamos até agora, inclusive vendo o que Carlos Lopes conseguiu filmar de nossos bate-papos, pois assim conseguiremos retomar o pensamento inicial que era o de discutir o próprio processo, e não o produto audiovisual pronto, correto? Poderíamos fazer isso ao longo deste semestre, numa tentaiva de finalizarmos o que estivemos fazendo até agora.
2) que recebamos o Prof. Carlos Miranda na próxima reunião do grupo, dia 03/10, e discutamos com ele essa nossa nova perspectiva de trabalho, entendendo mais e melhor este novo e vigoroso projeto de ensino, pesquisa e extensão ao qual poderemos optar em adentrar.
Para tanto, colocarei no cometário desta mensagem uma espécie de resumo deste novo projeto, para irmos nos familizrizando com ele até dia 03/10, ok?
Peço que os interessados leiam o texto e analisem suas possibilidades e vontades de se incluirem nele. Ai, no dia 03, ouvimos melhor a proposta do Prof. Carlos e resolvemos em conjunto se ainda iremos querer e se teremos tempo para finalizar nosso trabalho inicial, como digo no ítem 1 anteriormente citdo, ou se já partimos para o ítem 2 ainda neste semestre. Resolveremos isso, portanto, de forma coletiva na próxima reunião, ok?
Espero, enfim, que independente dos rumos que tomarmos daqui prá frente, nosso objetivo primordial continue sempre em nossas mentes: disutir sobre a educação visual, tentando (in)formar professores e alunos sobre esta educação que recebemos através das imagens e que precisa ser tomada como foco de análise!
Beijos a todos e em todos e nos vemos dia 03 de outubro!
domingo, 20 de setembro de 2009
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Pessoal, gostaria de por em discussão o último roteiro que nos foi apresentado. Confesso que fui pega de surpresa no sábado, e não consegui naquele momento encontrar uma forma adequada de expressar-me a todos. Logo o Carlos chegou, e não houve tempo para uma discussão.
Aquele silêncio absoluto no final da apresentação do roteiro pela Gabi ainda ecoa dentro de mim. O que me incomoda é a falta de discussão e tomada de decisão em grupo, o que excepcionalmente não aconteceu na última reunião.
Gostaria, a princípio, de saber a opnião dos demais. No mais, seria possível uma discussão, ainda que seja online?
Também solicito, ainda que por necessidade pessoal, a indicação de algum texto que discorra sobre a criação coletiva, o que significa conceitualmente, seus limiares e possibilidades reais. Alguém conhece algum?
fico no aguardo.
Marcela
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
O ROTEIRO: ÚLTIMA IDÉIA
Muitas já foram nossas idéias coletivas sobre o roteiro a ser seguido para a produção de nosso curta-metragem de animação pela técnica de stop-motion com massinha. Para os que agora chegam, é só dar uma olhada no histórico de postagens aqui do Blog prá ver como estamos trabalhando com afinco sobre a idéia!
Pensando sobre nossa última idéia - que envolvia a Cuca e o Traqui numa festa de aniversário - e pesquisando mais sobre nossa personagem principal, descobri que a Cuca dorme apenas uma vez a cada 7 anos e que, por ser absolutamente insone, percorre as ruas em busca de crianças que se recusam a dormir e traquinam pelas madrugadas.
Como a idéia anterior estava bem grandinha e difícil de colocar em prática, pensei numa adaptação mais singela... Esta é nossa última idéia:
GEIE apresenta
NOME com rabicho embaixo
Rabicho de traqui balançando
Abre imagem, Traqui dormindo no chão, com gorrinho e sorrisinho na boca
Urro (áudio)
Traqui leva susto
Abre imagem, Cuca na cama em cima de Traqui, de pijama de bolinhas, brava
Traqui se ajeita, Cuca vira de lado, Traqui fecha olhos e sorri,
Cuca não consegue dormir, bufa, Traqui acorda de novo com cara de irritação, Cuca troca lado da cama, Traqui suspira sorrindo, mas Cuca bate os pés na cama e ele de novo acorda
Cuca levanta, câmera abre e mostra Cuca andando pela caverna, Traqui com travesseiro na cabeça.
Cuca olha pra trás onde está o relógio com indicação da noite de sono
Close no relógio: Próxima noite de sono: HOJE
Cuca olha de novo para frente, com cara de raiva. Tira pijama e caminha para fora da caverna. Sai.
Traqui tira travesseiro da cabeça, abre um olho, depois os dois. Procura ao redor, não vê Cuca e faz cara de assustado. Sai da caverna procurando Cuca.
Câmera segue Traqui por trás até que ele pare, em sobressalto.
Mostra-se rosto de Traqui, apavorado.
Câmera corta para Cuca em cima do telhado, entrando em uma casa pela janela.
Câmera volta para Traqui, que entra na casa pela porta, devagarinho pra não ser ouvido. Ambiente escuro, noite. Ouve risinhos, alguém cantarolando, brincando de boneca. Sobe uma escada. Quando chega perto da porta entreaberta, ouve um grito iniciado, mas parado por um “psiuuuu” e silêncio. Traqui leva as mãos à cabeça, apavorado, e sai correndo para fora da casa.
Traqui procurando Cuca, olhando ao redor, com cara de assustado. Não acha, cansa, ofegante. Arreia os ombros, desanimado. Chega na entrada da caverna da Cuca e, ao entrar, faz cara de espanto.
Câmera corta para cama da Cuca. Cuca deitada, de pijama, com dedo na boca e sorridinho. Menina sentada no chão, ao lado de Cuca, cantando canção de Ninar e fazendo cafuné.
Câmera volta para Traqui, que está mexendo no relógio. Acerta o relógio: próxima noite de sono: Daqui há 7 anos!
Dá uma piscadinha para a câmera.
Créditos por cima da imagem, que ao fundo continua mostrando a cena com Traqui caminhando até a menina, colocando seu gorrinho, se aninhando em suas pernas e dormindo com sorrisinho.
Ao acabar a cena, créditos continuam ao lado de nossos desenhos.
Como combinamos, peço que olhem com carinho para esta última idéia e a lapidem através de comentários nesta postagem. Levaremos isso conosco para o nosso próximo encontro, em 19/09, para transforma-lo em roteiro e desenharmos a story-board - Jú Troya, seria ótimo poder contar com vc nessa!
Ah! E cvomo nosso objetivo principal não é formar produtores de vídeo, mas pensar sobre esta produção no que tange à educação visual, a filmagem do makkig-off de nossa produção é fundamental. Carlos Lopes, esperamos também poder contar com vc!
Mais beijos a todos e em todos e esperamos seus pitacos!
COMEÇANDO PARA TERMINAR...
No sábado, 29/08, tivemos a primeira reunião deste semestre e decidimos o calendário de encontros e nossas atividades:
- 19/09: escrita da idéia do vídeo em forma de roteiro e desenho de story-boards;
- 03/10: montagem de cenários e personagens;
- 24/10 (DIA TODO): stop-motion;
- 31/10 (DIA TODO): stop-motion;
- 21/11 (até 14hs): finalização do vídeo (com ensino de edição e montagem)+ entrega dos textos + café da manhã de fechamento.
Combinamos que escreveremos um texto individual de fechamento de nosso trabalho com o vídeo e entregaremos no fim do semestre, como trabalho final. Deixarei bibliografia básica no xerox da FE, ok?
A idéia geral para nosso vídeo de animação foi um pouco alterada, na tentativa de darmos conta de realemnte produzi-lo... Postarei a idéia geral, para lapidarmos juntos até 19/09 por aqui, como combinamos.
Beijos a todos e em todos e s´imbora trabaiá!
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
VOLTANDO....
Como passaram de férias? Espero que bem! Quem esteve bisoiando o COLE percebeu que para Heitor e eu férias só foram possíveis graças à gripe porquina que atrasou nossos calendários até hoje... rsrs
Agora, já de volta à labuta, escrevo para marcarmos nossa primeira reunião do semestre, a acontecer em 29/08, como de praxe: às 9:00hs na Cantina da FE.
Neste primeiro encontro, finalizaremos nosso roteiro, marcaremos as reuniões do semestre para a produção de nosso filminho (e de nosso making-off) e planejaremos como iremos apresentar nossa produção ao público.
Espero, pois, que todos estejam lá!
Beijo grande a todos e nos vemos dia 29!
domingo, 7 de junho de 2009
terça-feira, 2 de junho de 2009
REUNIÃO DE 6 DE JUNHO
Neste sábado teremos nossa última reunião do semestre e propusemos fazer um café da manhã coletivo para comemorarmos! Peço a todos, então, que tragam seus comes e bebes para confraternizarmos, ok?
Além disso, sei que ficamos com uma reunião a menos e a Elaine tinha proposto mais um dia de encontro. Ao invés disso, porém, proponho que estendamos a reunião deste sábado até um tiquinho mais tarde, ok?
Ficamos juntos até umas 14hs e tentaremos:
- rever e reescrever coletivamente nosso roteiro, deixando-o pronto para as filmagens do próximo semestre (ALINE FEZ DUAS ÓTIMAS POSTAGENS AQUI NO BLOG PARA REPENSARMOS NOSSAS IDÉIAS; ENTREM, LEIAM, DISCUTAM E FALAREMOS SOBRE ISSO SÁBADO, OK?) (JÚ QUERIDA, DÊ UMA OLHADA NO ROTEIRO QUE CRIAMOS LÁ NO BLOG E VEJA SE OS PASSOS ESTÃO CERTINHOS, DE ACORDO COM SUA AULA, OK?)
- desenhar direitinho nosso history-board no "baralho", para visualisarmos as cenas (FOLHAS DE SULFITE OU CARTOLINA SÃO BEM-VINDAS, PESSOAL!)- levar e fotografar nossos personagens, figurinos, cenários e etc, tentando criar um ensaio de idéias para as filmagens (GENTE, LEVEM BONECOS DE MASSINHA, DEDOCHES, BRINQUEDOS E O QUE MAIS ACHAREM QUE D[Á PRÁ USARMOS - SEM PENSANDO EM MATERIAS DE FÁCIL ACESSO, OK?) (HEITOR QUERIDO, PODEMOS CONTAR COM SUA CÂMERA?)
- continuar a filmar nosso making-off (CARLOS, ESSA É COM VOCÊ, CERTO?)
Caso não consigamos dar conta de tudo, pensamos em uma reunião a mais ainda em junho, ok?
E tentem não faltar, porque vai ser uma reunião d-a-q-u-e-l-a-s!!!
Beijos a todos e nos vemos neste sábado às 9hs na Cantina,Gabi
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Sobre o mito, a lenda, os símbolos
Desculpe bombardear vocês. É só mais este. Eu fiquei pensando sobre o uso das simbologias dos personagens lendários fantásticos - cuca, bicho papão. Em verdade, depois das pesquisas, conclui que quaisquer um destes têm como significado essencial 'o mal', 'o desconhecido', 'a ignorância', 'os fantasmas que nos perseguem', 'o velho e feio' - tudo que dá medo, adequando-se a figura em cada cultura. E fiquei pensando, como sugeriu nossa mestra Gisele, sobre o significado, o sentido destas simbologias, destes mitos, sejam eles "relidos na modernidade" ou não. Fui pesquisar algo sobre os mitos e me deparei com a obra do J.Campbell, O poder do mito (veja trecho abaixo).
Em verdade, nunca havia tido motivação de ler, mas pensei que seria o momento. E encontrei a seguinte passagem que me pareceu bastante esclarecedora. A questão que fica é: se os mitos educam, se os símbolos são usados para transcendência, para que as pessoas reflitam sobre sua própria existência - como no vídeo da Matinta Perera do RJ (em que há uma transformação) - que significado daremos a estes símbolos? Quero dizer, a Cuca e o Bicho Papão habitam a memória coletiva, o que podemos aproveitar destas duas figuras para a nossa história? porque se a "lição" vai estar relacionada à questão "beleza", 'ser você mesmo também é bom', talvez os personagens não precisem ser estes. Não sei, é uma reflexão que coloco 'na roda'.
beijos...
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MOYERS: Através da leitura de seus livros – The Masks of God e The Hero with a
Thousand Faces – vim a compreender que aquilo que os seres humanos têm em comum se
revela nos mitos. Mitos são histórias de nossa busca da verdade, de sentido, de significação, através dos tempos. Todos nós precisamos contar nossa história, compreender nossa história. Todos nós precisamos compreender a morte e enfrentar a morte, e todos nós precisamos de ajuda em nossa passagem do nascimento à vida e depois à morte. Precisamos que a vida tenha significação, precisamos tocar o eterno, compreender o misterioso, descobrir o que somos.
CAMPBELL: Dizem que o que todos procuramos é um sentido para a vida. Não penso que
seja assim. Penso que o que estamos procurando é uma experiência de estar vivos, de modo que nossas experiências de vida, no plano puramente físico, tenham ressonância no interior de nosso ser e de nossa realidade mais íntimos, de modo que realmente sintamos o enlevo de estar vivos. É disso que se trata, afinal, e é o que essas pistas nos ajudam a procurar, dentro de nós mesmos.
MOYERS: Mitos são pistas?
CAMPBELL: Mitos são pistas para as potencialidades espirituais da vida humana.
MOYERS: Aquilo que somos capazes de conhecer e experimentar interiormente?
CAMPBELL: Sim.
MOYERS: Você mudou a definição de mito, de busca de sentido para experiência de
sentido.
CAMPBELL: Experiência de vida. A mente se ocupa do sentido. Qual é o sentido de uma
flor? Há uma história zen sobre um sermão do Buda, em que este simplesmente colheu uma
flor. Houve apenas um homem que demonstrou, pelo olhar, ter compreendido o que o Buda
pretendera mostrar. Pois bem, o próprio Buda é chamado “aquele que assim chegou”. Não
faz sentido. Qual é o sentido do universo? Qual é o sentido de uma pulga? Está exatamente ali. É isso. E o seu próprio sentido é que você está aí. Estamos tão empenhados em realizar determinados feitos, com o propósito de atingir objetivos de um outro valor, que nos esquecemos de que o valor genuíno, o prodígio de estar vivo, é o que de fato conta.
MOYERS: Como chegar a essa experiência?
CAMPBELL: Lendo mitos. Eles ensinam que você pode se voltar para dentro, e você
começa a captar a mensagem dos símbolos. Leia mitos de outros povos, não os da sua
própria religião, porque você tenderá a interpretar sua própria religião em termos de fatos – mas lendo os mitos alheios você começa a captar a mensagem. O mito o ajuda a colocar sua mente em contato com essa experiência de estar vivo. Ele lhe diz o que a experiência é.
Casamento, por exemplo. O que é o casamento? O mito lhe dirá o que é o casamento. E a
reunião da díade separada. Originariamente, vocês eram um. Vocês agora são dois, no
mundo, mas o casamento não é senão o reconhecimento da identidade espiritual. É
diferente de um caso de amor, não tem nada a ver com isso. É outro plano mitológico deexperiência. Quando pessoas se casam porque pensam que se trata de um caso amoroso
duradouro, divorciam se logo, porque todos os casos de amor terminam em decepção. Mas
o matrimônio é o reconhecimento de uma identidade espiritual. Se levamos uma vida
adequada, se a nossa mente manifesta as qualidades certas em relação à pessoa do sexo
oposto, encontramos nossa contraparte masculina ou feminina adequada. Mas se nos
deixarmos distrair por certos interesses sensuais, iremos desposar a pessoa errada.
Desposando a pessoa certa, reconstruímos a imagem do Deus encarnado, e isso é que é o
casamento.